Desde 2007 eu estou batendo nessa questão. Mesmo antes do boom de vendas online, o próprio consumidor já dava a entender que esse padrão de loja, onde o cliente que entra e é visto como caça. Onde o "vendedor" pouco ou quase nada conhece do produto, mas sabe que deve vender os acessórios A, B e C junto, já estava em esgotamento.
Mesmo ha cinco anos, quando o cliente, o consumidor, ainda estava tomando noção do seu real poder, já existia a insatisfação com esse comportamento "anos 70" do varejo.
Eu sempre vi nessa mudança, um grande espaço para o pequeno comércio. Uma aproximação entre lojista e cliente. Atendimento personalizado, com atendentes que sabem o que estão vendendo e ajudam o consumidor a encontrar o melhor para seu perfil, para a função desejada.
Em 2009, projetei uma experiência desse tipo. Uma loja de informática voltada para o atendimento e para o relacionamento com o cliente. Prestação de serviço, educação e treinamento no uso dos produtos. E agora mesmo estou envolvido em outro projeto assim, esse maior, tem ramificações no atendimento empresarial. Dentro do mesmo foco, mas levando esse conceito até o cliente.
Claro, sempre vai existir o consumidor impessoal, que quer entrar, pegar o produto na prateleira e passar no caixa. Para esse temos a liberdade na loja e a web! Acredito na composição entre loja física/loja online, como coisas complementares. Não necessariamente com o mesmo mix de produtos e serviços.
Infelizmente, o pequeno varejo brasileiro, ainda é reticente e vê com reservas mudanças no seu próprio comportamento. Prefere copiar do que inovar. Baseado em sucessos antigos, permanece na sua trilha para o...
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O novo papel das lojas de tijolo e cimento diante do crescimento agressivo das vendas online - esse foi o tema que dominou a 101a Convenção da National Retail Federation, mais importante evento do varejo global, que aconteceu em janeiro, em Nova Iorque. Para se ter ideia do tamanho do problema, basta dizer que no último final de ano o chamado e-commerce ficou com 15% das vendas totais do varejo americano, percentual bem maior que os 5% de 2005. Segundo previsões da Forrester, consultoria especializada em comércio eletrônico, essa proporção deve chegar a 20% no Natal de 2012. Por isso, não surpreende que executivos de empresas varejistas americanas ouvidos pela Deloitte estejam apostando no declínio das lojas físicas nos próximos anos. Apesar dessas lojas ainda canalizarem 91% das vendas do comércio, estima-se que esse índice baixe para 73% em até 5 anos e depois caia ainda mais, para perto de 63%.
Diante desse cenário, as empresas estão tratando de repensar a loja. Uma pesquisa da Cognizant sugere que um bom começo seria corrigir os principais focos de insatisfação dos consumidores, que são, pela ordem, não encontrar na loja os produtos que procuram, grandes filas no caixa e vendedores que não entendem muito sobre o que vendem. Mas só isso não seria o suficiente. Estudo produzido pela consultoria Deloitte revela que é preciso fazer um upgrade na loja. A ‘Loja 3.0’, como a equipe da Deloitte batizou esse novo formato, seria principalmente um lugar destinado a proporcionar experiências de compra diferenciadas e interações mais próximas entre clientes e vendedores, que, aliás, desempenhariam um papel mais próximo de uma consultoria do que propriamente de venda, apoiado por novos processos tecnológicos, capazes de levar algumas das facilidades do mundo virtual para dentro da loja de tijolo e cimento.
Entre as saídas encontradas pelos comerciantes americanos estão ainda a maior oferta de serviços, investimentos na educação dos clientes, o que significa ensiná-los a usar os produtos para obter melhores resultados, e curadoria - a loja e seus funcionários funcionariam como ‘guias’, orientando e ajudando consumidores a garimpar novidades. Fazem também parte dessa nova estratégia programas de incentivo e relacionamento com clientes externos e funcionários, bem como abraçar com mais intensidade causas sociais de interesse da comunidade.
Se considerarmos que no Brasil as vendas online tem subido em ritmo bem mais acelerado que as das lojas tradicionais, talvez a reinvenção da loja chegue também aqui mais cedo do que muita gente imagina.